Desigualdade Racial
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Desigualdade racial | Conheça as dimensões do preconceito racial no Brasil

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Embora apenas 1,3% da população brasileira se considere racista, a desigualdade racial e o preconceito ainda são uma triste realidade no país.

Os negros constituem a maior parte da população do Brasil. Entretanto, a representatividade em cadeiras de universidades, governos municipal, estadual e federal e empregos gerenciais não seguem a mesma proporção.

Um estudo divulgado em 2017, mostra, ainda, que o país mantém níveis históricos de desigualdades e que as mulheres negras estão na base da pirâmide do mercado de trabalho, enquanto os homens brancos ocupam o topo.

Nesse post, a Risü vai mostrar como anda a desigualdade racial no Brasil e quais as suas dimensões no dia a dia dos brasileiros.

Desigualdade racial | O que é?

desigualdade racial

A desigualdade racial é resultado de processos históricos em que uma parte da sociedade busca limitar, diminuir ou prejudicar determinados grupos, em função de sua origem e cor de pele.

Nessas relações, os mais prejudicados são os negros. Isso porque passaram pela escravidão e sentem os reflexos dessas diferenças até os dias atuais.

A desigualdade racial – ou racismo – vai além de não gostar de alguém por sua cor. Ela atinge diversas esferas, como a de trabalho, estudos e representatividade. A atuação e as oportunidades dos negros é limitada de forma geral, em todos os aspectos de suas vidas.

O Dia da Consciência Negra desperta toda a população para discutir e buscar soluções para o racismo e a desigualdade no Brasil. A ocasião ainda tem o objetivo de reforçar a importância de sentir orgulho em ser negro. Saiba tudo sobre essa data em nosso artigo sobre o assunto.

Preconceito racial no Brasil – ainda somos preconceituosos?

Segundo uma pesquisa do Ibope, de 2017, somente 2 em cada dez brasileiros se diz preconceituoso. Apesar disso, 73% afirmam já ter dito algum comentário com teor de preconceito.

Quando focamos nas questões de raça, esse problema ganha contornos ainda mais definidos e é possível ver suas várias dimensões na sociedade.

A desigualdade racial data do período colonial. Os colonizadores portugueses usavam mão de obra escrava para a expansão do país e, desde então, os negros estão em uma posição inferior na hierarquia social.

E com o fim da escravidão, a questão ganhou outros aspectos. Embora livre, a população negra não tinha onde viver e nem onde trabalhar, já que muita gente se recusava a contratar – e pagar – pelo trabalho de antigos escravos.

Os reflexos nos dias atuais são muitos:

Negros ganham menos do que brancos com o mesmo nível de formação

Os negros ganham menos do que pessoas brancas com o mesmo nível de escolaridade. E quanto maior o grau deformação, maior a diferença.

Trabalhadores sem ensino médio ganham o equivalente a 92% dos profissionais brancos ocupando os mesmos cargos. Para quem concluiu o ensino médio, a proporção é de 85%. E para quem concluiu a faculdade o número cai para 65%.

População negra tem menos acesso à educação

Há mais de dez anos, somente 5,5% de jovens negros haviam concluído o ensino superior. Com as políticas de cotas e inclusão educacional, essa taxa cresceu para 12,8% em 2015. Apesar do aumento, a diferença ainda é grande, quando comparada a de brancos na mesma faixa de idade (26,5%).

Taxa de desemprego é maior entre os negros

O índice de desemprego no Brasil está alto e todas as camadas na população, entretanto, os negros são os mais atingidos pela situação. Durante a crise dos anos de 2015 e 2016, a taxa de desemprego ultrapassou os 15%, mas, para os negros, o número foi de 19,4%.

Negros são minoria nos cargos de chefia

Cerca de 10% dos cargos de chefia de empresas em todo o país são ocupadas por negros, embora eles representem metade da população brasileira – 54%. E quando falamos de cargos de diretoria e presidência, o percentual cai para 5%.

Representatividade em cargos políticos incompatível com a população

A desigualdade racial também chega à política. Dos 1.627 candidatos eleitos em 2014 para cargos estaduais e federais, 342 se declararam pardos e 51, pretos.

Negros são maioria da população carcerária

Segundo dados do Sistema Integrado de Informações Penitenciárias (Infopen), 64% dos presos do sistema penitenciário brasileiro são negros. Além da falta de oportunidades que muitas vezes leva jovens para a criminalidade, existe uma seletividade penal que prejudica a população negra,

O relatório Sobre o Perfil dos Réus Atendidos nas Audiências de Custódia, elaborado em 2016 pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro, aponta que a possibilidade de um branco preso em flagrante ser solto depois de apresentado ao juiz é 32% maior do que a de um negro.

Estudos ainda apontam que o rigor é maior com os negros, que comumente são enviados à cadeia, enquanto os brancos contam com penas alternativas.

Cinema e literatura têm poucos representantes negros

Dos livros brasileiros publicados entre 1965 e 2014, 10% foram escritos por negros. Dos protagonistas desses mesmos livros, 60% são homens e 80%, brancos.

No cinema, a situação não é diferente, dos filmes nacionais com maior bilheteria entre os anos de 2002 e 2014, comente 31% tinham protagonistas negro, sendo a maioria em papeis relacionados à pobreza e/ou criminalidade.

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Homens e mulheres negras sofrem com construção de estereótipos

A população negra sofre a todo momento com a construção de papeis sociais e a discriminação pela aparência.

Enquanto os homens sofrem com a imagem de criminoso em potencial, passando por brutalidade em revistas policiais e olhares amedrontados nas ruas, as mulheres negras são vistas pela ótica da servidão ou da sexualidade.

O racismo afeta a saúde dos negros

Com todos esses problemas, a saúde dos negros também é afetada. Estudos científicos apontam que o racismo ajuda a desencadear doenças cardiovasculares e renais, depressão e ansiedade, além de passarem por discriminação do sistema de saúde.

Negros sofrem mais com a violência

O Brasil é um país violento e ocupa a 10ª posição no ranking de países que mais matam por arma de fogo no mundo. São cerca de 123 mortes por dia, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde.

A maior parte dessas vítimas são jovens de pele negra. Em cada 100 pessoas mortas no Brasil, 71 são negras. Vale lembrar que essa faixa da população tem até 23% mais chances de ser vítima de assassinato do que os não negros.

A generosidade é um sentimento que nos dá a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e tentarmos entender como se sentem, além de contribuirmos para que a vida da outra pessoa seja melhor. Leia nosso artigo sobre esse assunto e entender por que as pessoas generosas são mais felizes.

Por que a população negra no Brasil tem menos oportunidades?

desigualdade racial

A desigualdade racial começa a mostrear seus impactos na vida nos negros desde o início da vida. O racismo deixa marcas desde a infância, iniciando um processo de exclusão que acompanha essas pessoas em todas as etapas e aspectos sociais.

As crianças negras sofrem racismo na escola, nas ruas e até na família. Elas têm maior dificuldade de iniciar os estudos e sofrem com impactos sociais e psicológicos da discriminação.

Os jovens começam a trabalhar mais cedo. Isso afeta diretamente o desempenho na escola e, depois, a entrada na universidade.

Com tudo isso, os negros têm mais dificuldade em conseguir concluir uma faculdade ou chegar a um cargo de chefia. Essa situação alimenta um ciclo de preconceito e desigualdades que parece não ter fim.

A falta de oportunidades traz uma série de resultados negativos. O aumento da população carcerária e o crescimento dos índices de violência são dois exemplos.

Todas as pessoas são responsáveis pela mudança desses problemas em nossa sociedade. A Risü preparou um post especial sobre como ajudar o próximo. Clique aqui e confira!

A desigualdade racial leva a desigualdades sociais?

A desigualdade racial não é um problema só dos negros, mas de toda a sociedade. Seus desdobramentos levam a uma série de desigualdades sociais e questões que devem fazer parte a agenda de discussões nacionais.

As políticas sociais de inclusão têm alterado a estrutura de desigualdades raciais no Brasil, especialmente nos últimos 15 anos, mas ainda há muito a se fazer.

O problema do racismo traz consequências diretas sobre:

  • O número de pessoas que estão abaixo da linha da pobreza e precisam de auxílio de programas sociais. No Bolsa Família, por exemplo, sete em cada dez casas beneficiadas pelo programa tem como chefes de família uma pessoa negra.
  • A moradia – a maioria da população que vive em favelas é de pessoas negras, reforçando o problema de vulnerabilidade social.
  • Índices de violência – as mulheres negras são as que se sentem mais insegura em qualquer ambiente, incluindo aí suas próprias casas.
  • Desigualdade nas escolas – os negros são os que passam menos anos nos bancos de escola.

A desigualdade racial tem diminuído nos últimos anos, mas ainda é um problema real e que levanta uma série de aspectos e consequências negativas para toda a sociedade.

Você pode ajudar a mudar esse cenário. Conheça as ONGs de direitos humanos parceiras da Risü, faça a sua contribuição e dê seu suporte para que essas instituições continuem realizando seu trabalho, mudando nosso país todos os dias!

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