Economia Solidária
Fazer o Bem

O que é economia solidária? Entenda definitivamente!

Os modelos de produção capitalista, com alta concentração de renda e desigualdades sociais em níveis alarmantes, são, há muito tempo, o padrão de produção de países no mundo todo. Mas um novo conceito está revolucionando as formas como a gente se relaciona com o consumo, gerando renda e promovendo inclusão, ao mesmo tempo em que acelera o mercado: a economia solidária.

Somente no Brasil, mais de 20 mil empreendimentos do setor da economia solidária estão registrados no Cadastro Nacional de Empreendimentos Econômicos Solidários (Cadsol). Há mais de 4 mil pedidos em análise, segundo dados do Ministério do Trabalho. Mas como o cadastro não é obrigatório, o número pode ser bem maior.

As desigualdades sociais foram um propulsor importante para o surgimento das empresas de economia solidária. Saiba tudo sobre desigualdade social e como esse problema afeta o Brasil e o mundo no nosso artigo sobre o tema.

Economia Solidária | Aprenda qual é o conceito

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A economia solidária nasceu no Brasil, mas hoje é praticada no mundo todo. É diferente da economia social, que tem origem na Europa do século XX, através de cooperativas, associações e sociedades organizadas.

Em meio à crise econômica que atingiu toda a América Latina nos anos 70, como resultado do choque do petróleo, os países que importavam o produto ficaram com dívidas colossais, já que o preço aumentou 500%.

A alternativa foi a economia solidária, implementada a partir dos anos 80, ainda sem esse nome. O objetivo era combater o desemprego e recuperar empresas – que passaram a funcionar sem patrão e geridas pelos próprios trabalhadores.

Hoje, o conceito economia solidária é amplamente conhecido por especialistas e tem como base o trabalho cooperativo. Este, gera um trabalho sustentável para todas as pessoas envolvidas no empreendimento.

Mas o conceito vai além da atividade econômica. Promove integração cultural, educativa e ações políticas para que haja uma efetiva transformação social de seus membros.

Economia Solidária no Brasil

Um dos grandes nomes da economia solidária no Brasil foi o economista Paul Singer, que faleceu em abril de 2018. Ele conseguiu reunir a teoria econômica e a prática política, tendo como objetivo a melhor distribuição de renda e uma organização produtiva que não explorasse o trabalhador.

Na economia solidária o mercado é baseado na cooperação entre os produtos. É por isso uma alternativa à competitividade e concorrência agressiva, tão comuns no modelo original do capitalismo.

Todo o lucro produzido é divido entre esses produtores e não para um único dono, que não é responsável direto pela geração de riqueza.

O termo economia solidária começou a ser usado somente nos anos 90. Mas, antes disso, o modelo já havia se espalhado pelo país, dando início a muitos empreendimentos nesses moldes e se espalhando por todo o mundo.

Com o crescimento desse tipo de instituição, em 2003 foi criada a Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes), parte do Ministério do Trabalho.

Como você viu, a própria sociedade, em esforço coletivo, encontrou caminhos para resolver problemas comuns a milhares de brasileiros. Saiba como as OSCIP (Organização das Sociedades Civis de Interesse Público) se formam e contribuem para o alcance de mudanças efetivas no nosso país.

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Economia solidária | Conheça alguns exemplos

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Para você entender melhor como a economia solidária funciona, trouxemos alguns exemplos de empreendimentos que funcionam com base na cooperação e ganhos coletivos, enxergando o trabalhador muito além de uma peça da produção.

Arte Taba

A Arte Taba é uma associação localizada em Tabatinga, uma cidade com 10 mil habitantes, na fronteira entre o Brasil e o Peru.

Pelo menos 40 famílias tiveram a vida transformada pela economia solidária – base desse empreendimento.

Na Arte Taba as mulheres produzem biojoias, usando materiais naturais e de origem brasileira para a confecção de acessórios artesanais únicos. Tudo com a coordenação da designer de joias Patrícia Henna.

Graças aos desenhos exclusivos, os produtos conquistaram um mercado de alto padrão e hoje são o sustento desses trabalhadores.

Rede Sete Barras

A Rede Sete Barras é um empreendimento da agropecuária – um dos principais setores impactados pelos valores da economia solidária.

Ela é formada por dois grupos de produtores: a Cooperativa Agropecuária de Produtos Sustentáveis do Guapiruvú (Cooperagua), criada em 2003, e a Cooperativa de Agricultura Familiar de Sete Barras (Coopafasb). Ambas produzem bananas e palmito pupunha de forma orgânica.

Graças ao esforço, perseverança e o emprenho de um grupo de trabalhadores de Sete Barras, um município do estado de São Paulo localizado a 200 km da capital, as cooperativas mudaram a realidade de 200 famílias e 16 comunidades.

Hoje, além da venda direta dos produtos, a Rede Sete Barras é responsável por fornecer bananas orgânicas para as escolas participantes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

CISARTE

O Centro de Inclusão pela Arte, Cultura e Cidadania (CISARTE) funciona desde 2016. É uma iniciativa do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) e da Central de Cooperativas de Empreendimentos Solidários (Unisol) em parceria com a prefeitura de São Paulo.

Tem o objetivo de ser uma porta de saída para pessoas em situação de rua. Nesse processo, utiliza ferramentas multidisciplinares, por meio do trabalho de secretarias municipais e da Sociedade Civil.

Os principais caminhos utilizados para mudar esse cenário são a arte, cultura, educação, empregabilidade, assistência social e a geração de trabalho e renda – por meio de empreendimentos da economia solidária.

Um desses empreendimentos é uma cooperativa para a triagem de materiais recolhidos por catadores. O descarte é separado para ser encaminhado a empresas de reciclagem.

Coopersoli

A Cooperativa dos Recicladores e Grupos de Produtores do Barreiro (Coopersoli), funciona na região do Barreiro, na capital mineira. Foi fundada em 2000, sendo formalizada três anos depois.

O empreendimento nasceu a partir da mobilização de grupos organizados em comunidades do Barreiro, visando melhores condições de vida e geração de trabalho. O intuito era encontrar na reciclagem um caminho que impactaria positivamente suas famílias e toda a comunidade.

Atualmente emprega 42 trabalhadores fazendo a triagem, prensagem e coleta de 200 toneladas de material reciclável todos os meses.

Morada da Floresta

A Morada da Floresta é um empreendimento da cidade de São Paulo que atua em duas vertentes:

  • desenvolvimento de projetos, soluções e tecnologias socioambientais para a diminuição de resíduos no Brasil; e
  • atividades voltadas à educação e conscientização ambiental.

Seus produtos incluem composteiras domésticas, fraldas e absorventes femininos ecológicos, repelentes, óleos essenciais e jogos educativos.

O empreendimento é aberto à visitação e promove o diálogo sobre partos naturais, autoconhecimento, convivência comunitária e economia solidária.

A Morada da Floresta é uma loja do bem parceira da Risü. Você pode adquirir os produtos com cupons de desconto exclusivos e transformar a maneira como você consome e descarta resíduos, contribuindo para melhorar o ambiente a sua volta.

Princípios da Economia Solidária

No contexto capitalista, o acúmulo de riquezas se concentra nas mãos de poucas pessoas. A individualidade e a competitividade são os aspectos mais valorizados.

Com a economia solidária, os trabalhadores viram que é possível encontrar novos caminhos de produção, dividindo resultados entre os próprios geradores dessas riquezas. Dessa forma, a renda é redistribuída, o que constitui um novo setor de mercado.

Para que o trabalho humano não seja mais visto como simples mercadoria, a economia solidária tem feito surgir novas práticas econômicas. E isso se tornou uma alternativa para melhorar a qualidade de vida de pessoas em todo o mundo. Conheça os princípios que regem esse modelo:

  • Valorização social do trabalho humano;
  • Satisfação plena das necessidades de todos como eixo da criatividade tecnológica e da atividade econômica
  • Reconhecimento do lugar fundamental da mulher e do feminino numa economia fundada na solidariedade;
  • Busca de uma relação de intercâmbio respeitoso com a natureza;
  • Seguir os valores da cooperação e da solidariedade.

Na Carta de Princípios da Economia Solidária você conhece todas as diretrizes que orientam esse modelo econômico, que está influenciado todo o mercado e constituindo a base de trabalho de milhares de famílias em todo o Brasil.

O que faz a Secretaria Nacional da Economia Solidária?

A Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) foi criada em 2003, como fruto de propostas da própria Sociedade Civil. O objetivo é o de viabilizar e coordenar atividades que fomentem e economia solidária em todo o país. Visa-se a geração de renda, inclusão social e o desenvolvimento justo das comunidades.

A Senaes promove um trabalho intersetorial, por meios dos Governos Federal, estaduais e municipais. São criados planos que fomentem o desenvolvimento da economia solidária por meio de formação, assessoria técnica e acesso a crédito e que ajudem a ampliar esses empreendimentos coletivos.

Também está em execução um plano para a formação de Centros Públicos de Economia Solidária, onde serão realizadas as ações descritas anteriormente. Será um espaço propício para o encontro de empreendedores solidários e a comercialização dos produtos gerados nessas associações.

A economia solidária as instituições sociais estão intimamente ligadas. Ambas estão preocupadas em melhorar a vida das pessoas e, por consequência, aumentar o desenvolvimento das comunidades ao nosso redor.

Entenda tudo sobre ONGs, no post que a gente preparou sobre esse assunto. Veja como o desejo comum de mudar a sociedade pode fazer a diferença no mundo.

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